Com medalhas inéditas, Brasil caminha para resultado histórico nas Paralimpíadas

Desde as olimpíadas de Pequim, em 2008, o Brasil tem se destacado nas edições dos Jogos Paralímpicos. Se nas Olimpíadas a equipe brasileira tem variado entre posições no top 30, a situação muda quando falamos dos esportes paralímpicos. O Brasil tem ficado sempre entre os dez melhores países do mundo, algo que se repetiu em Londres (2012) e no Rio de Janeiro, quatro anos depois Em Tóquio, o Brasil tem chance de fazer história mais uma vez.

O Brasil já soma 30 medalhas, sendo 10 de ouro, cinco de prata e 15 de bronze. O retrospecto até o momento deixa a equipe verde e amarela na sexta colocação, e especialistas afirmam que o resultado brasileiro pode ser ainda mais histórico até o fim da competição, já que algumas medalhas ainda serão disputadas, como no futebol de cinco e no vôlei sentado, esportes nos quais o Brasil vai bem.

Outra modalidade em que o Brasil representou foi no atletismo. Para quem não acompanha muito, alguns exemplos de esportes de marca são os 100m rasos ou o salto em distância, por exemplo. A equipe brasileiro tem se destacado no atletismo, com nada menos que cinco medalhas de ouro. Outros resultados importantes aconteceram também na natação e no judô.

Esses resultados levantam uma questão: por que o Brasil é uma potência paralímpica? Algumas respostas podem ser dadas. A principal delas tem a ver com a Lei Piva, que rege o esporte olímpico no Brasil e principal renda do Comitê Paralímpico Brasileiro. Além disso, outra renda importante advém das loterias federais, algo que acontece desde 2003. Esses dois investimentos somados garantem uma ótima estrutura para os atletas.

Outro fator importante é a construção do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, que é o maior legado esportivo da Rio 2016. São 95 mil metros quadrados com instalações para mais de uma dezena de modalidades. Antes da pandemia, mais de 20 mil pessoas passavam por ano lá, entre treinos e competições. Ter essa estrutura é fundamental para que os atletas possam treinar com regularidade, com equipamentos adequados e nível de acolhimento semelhante ao dos países desenvolvidos.

Todo esse cenário coloca o Brasil como uma potência nas Paralimpíadas. Neste domingo (29), isso ficou mais uma vez evidente com os ótimos resultados alcançados pela equipe brasileira. Além de três bronzes, foram quatro ouros, três deles conquistados por mulheres, com destaque para Mariana D’Andrea, que faturou o primeiro título paralímpico da história do Brasil no halterofilismo.

Vice-campeã mundial em 2019, a brasileira da categoria até 73kg levantou o peso de 137kg para vencer o duelo com a chinesa Lili Xu. “Esperava muito por este momento. Não tem gratidão maior do que ganhar esta medalha após cinco anos de treinamento. Agradeço a todos pela torcida e pela oração. Quero deixar registrado aqui que, se você tem sonho, corra atrás dos seus objetivos e os conquiste”, disse Mariana após a conquista.

Destaque neste domingo também para Gabriel Araújo na natação, que também levou ouro nos 200m livre classe S2. Outros destaques do dia que subiram no lugar mais alto do pódio foram Alana Maldonado, que tornou-se a primeira mulher campeã paralímpica de judô pelo país, e a nadadora Carol Santiago, que faturou a sua primeira medalha dourada, nos 50 m livre classe S13.

O Brasil também conquistou sua primeira medalha no remo em Tóquio, com Renê Pereira, que levou para casa o bronze na categoria Skiff simples PR1, destinado a remadores com função mínima ou nenhuma função no tronco capaz de impulsionar o barco. Ele estava na quarta posição até o último quarto da prova, quando arrancou para o pódio.

Foto: Alê Cabral/CPB.