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Como encontrar o seu ritmo no treino e deixar o sedentarismo para trás?

Com aulas coletivas, musculação e atividades que vão do jump ao pilates, academias ampliam opções de exercícios e incentivam a adoção de uma rotina mais ativa, com treinos que podem ser adaptados ao perfil e ao condicionamento de cada aluno

Em março, o debate sobre a importância da atividade física ganha maior visibilidade com o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, lembrado no dia 10. A data funciona como um alerta para um problema que cresce silenciosamente e está associado ao aumento de doenças crônicas em todo o mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a inatividade física pode contribuir para o surgimento de enfermidades em cerca de 500 milhões de pessoas até 2030, enquanto estudos apontam que o sedentarismo já está relacionado a uma em cada dez mortes globais.

Dados recentes mostram o avanço do comportamento sedentário no país. Levantamento do sistema de vigilância Vigitel, do Ministério da Saúde, aponta que tem crescido o número de brasileiros que passam três horas ou mais do tempo livre em frente a telas, como celulares, computadores e televisores. Esse padrão de inatividade está associado ao aumento do peso corporal, ao acúmulo de gordura e à elevação de indicadores como pressão arterial, glicemia e colesterol, além de estar relacionado a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Com isso, a OMS recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada, ou ao menos 75 minutos de exercícios mais intensos, combinados com atividades de fortalecimento muscular.

Diante desse cenário, redes de academias têm ampliado o leque de modalidades para estimular a população a incorporar o movimento à rotina. A diversidade de modalidades tem se tornado um dos caminhos para ampliar a adesão a essa recomendação. Além da musculação, as unidades passaram a investir em aulas coletivas e treinos dinâmicos que dialogam com diferentes perfis de praticantes. Aulas como jump, step, dança, bike indoor, treinos de velocidade e cross training, por exemplo, combinam exercícios aeróbicos com música e dinâmica de grupo, o que pode aumentar a motivação e ajudar a manter a regularidade. Já atividades como pilates e treinos de força contribuem para o fortalecimento muscular, melhora da postura e prevenção de lesões.

Para a gerente de operações da Rede Selfit, Bianca D’Elia, a possibilidade de escolher entre diferentes modalidades ajuda a quebrar uma das principais barreiras para quem tenta abandonar o sedentarismo: a ideia de que o exercício precisa seguir um único formato. “O primeiro passo é entender que atividade física não precisa ser igual para todo mundo. Algumas pessoas se identificam mais com aulas coletivas, outras preferem treinos de força ou atividades mais focadas em mobilidade. Quando o aluno encontra algo que realmente gosta de fazer, a chance de transformar o exercício em hábito aumenta muito”, explica.

A profissional ressalta que a regularidade costuma ser mais importante do que a intensidade inicial. Segundo ela, tentar começar com treinos muito exigentes pode gerar frustração ou até lesões, afastando quem ainda está construindo uma rotina ativa. “Para quem estava sedentário, o ideal é iniciar de forma gradual. Começar com dois ou três dias de atividade por semana já pode representar uma mudança significativa. Com o tempo, o corpo se adapta, o condicionamento melhora e a pessoa consegue evoluir naturalmente”, afirma Bianca.

Outro fator que tem contribuído para aproximar novos praticantes das academias é a possibilidade de adaptar o treino ao estilo de vida de cada pessoa. A proposta de praticar exercícios respeitando o próprio ritmo, ideia sintetizada no conceito de treinar “no seu beat”, adotada pela rede, tem sido utilizada como forma de incentivar a autonomia do aluno na construção da sua rotina de movimento.

Segundo Bianca, essa abordagem ajuda a reduzir a pressão estética muitas vezes associada ao ambiente fitness e reforça o foco na saúde e no bem-estar. “Cada pessoa tem um ponto de partida diferente. Algumas querem melhorar o condicionamento físico, outras buscam mais qualidade de vida ou redução do estresse. O importante é que o treino acompanhe o ritmo individual de cada um”, diz.

Dentro dessa perspectiva, a profissional destaca algumas estratégias que podem ajudar quem deseja sair do sedentarismo a construir uma rotina mais sustentável de atividade física. Uma delas é priorizar atividades que tragam prazer e não apenas resultados estéticos imediatos. “Escolher uma modalidade que seja divertida ou estimulante faz muita diferença na continuidade. Pode ser uma aula de dança, um treino de bike indoor ou até a musculação. O importante é que a pessoa se sinta confortável naquele ambiente”, orienta.

Bianca também recomenda variar os estímulos ao longo da semana, combinando exercícios aeróbicos com treinos de força e atividades que trabalhem mobilidade e flexibilidade. “Essa combinação ajuda no desenvolvimento do condicionamento físico de forma mais equilibrada e reduz o risco de sobrecarga em determinadas regiões do corpo”, explica.

Embora datas de conscientização ajudem a colocar o tema em evidência, o combate ao sedentarismo depende principalmente de mudanças contínuas no estilo de vida. Incorporar o movimento à rotina, seja por meio de caminhadas, esportes ou treinos em academia, é uma das estratégias mais eficazes para promover saúde física, mental e qualidade de vida. Nesse processo, estabelecer metas possíveis dentro da rotina também faz diferença. “Nem sempre é viável treinar todos os dias, e tudo bem. O mais importante é manter a constância. Duas ou três sessões semanais, bem orientadas, já podem gerar benefícios importantes para a saúde ao longo do tempo”, afirma Bianca D’Elia.