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A ténue linha entre observar e participar nas comunidades virtuais de lazer noturno

A noite já não começa quando se sai de casa

Durante muito tempo, a vida noturna começava quando se fechava a porta de casa. Combinava-se um encontro com amigos, escolhia-se um lugar quase no momento e o resto dependia do ambiente. Hoje, esse primeiro passo costuma acontecer muito antes, enquanto alguém consulta o telemóvel no sofá, verifica que concertos vão decorrer no fim de semana, lê opiniões sobre um espaço ou descobre um evento porque um desconhecido publicou um vídeo poucas horas antes.

As comunidades virtuais transformaram esta forma de viver o lazer noturno sem fazer grande alarido. O curioso é que quase ninguém entra nelas com a intenção de participar. A maioria começa apenas por observar. Lê comentários, vê fotografias, guarda um endereço para mais tarde. Sem dar por isso, acaba por escrever uma avaliação, responder a uma história ou recomendar um local a outras pessoas.

Essa pequena mudança, aparentemente insignificante, está a modificar a forma como descobrimos cidades, escolhemos programas e partilhamos o nosso tempo livre.

Um comentário pode influenciar mais do que parece

Há decisões que antes eram tomadas perguntando a um amigo. Hoje basta abrir uma aplicação.

Se alguém procura um espaço com música ao vivo em Lisboa, um terraço em Coimbra ou um roteiro de bares com personalidade no Porto, é muito provável que acabe por ler experiências de pessoas que nem sequer conhece. Essas opiniões costumam transmitir uma sensação de proximidade que muitas campanhas publicitárias dificilmente conseguem alcançar.

A verdade é que estas comunidades funcionam porque milhares de pessoas contribuem com pequenos fragmentos de informação. Uma fotografia tirada sem grandes pretensões, uma avaliação escrita ao regressar a casa ou um vídeo gravado com o telemóvel podem ajudar outros utilizadores a decidir onde passar a noite.

Ninguém tem a sensação de estar a exercer uma grande influência, mas a soma de todas essas pequenas contribuições acaba por desenhar o verdadeiro mapa de uma cidade.

Viajar também significa compreender como vive um lugar

O turismo mudou bastante nos últimos anos. Há cada vez mais viajantes que procuram experiências do quotidiano em vez de se limitarem a visitar os locais mais conhecidos.

Querem saber onde jantam os habitantes locais, que pequenos concertos realmente valem a pena ou em que bairro se concentra a atividade cultural quando termina o horário de trabalho. Essas informações raramente aparecem nos folhetos turísticos. Em contrapartida, circulam constantemente pelas redes sociais, fóruns e grupos especializados.

Por isso, muitas cidades começam a ser conhecidas primeiro através das conversas digitais e só depois pelas ruas que as atravessam. A experiência inicia-se vários dias antes da viagem e prolonga-se muito depois do regresso.

Do observador silencioso ao membro da comunidade

É curioso observar como o comportamento da maioria dos utilizadores vai mudando.

No início, limitam-se a consumir conteúdos. Depois guardam publicações, reagem com um “gosto” e, mais cedo ou mais tarde, acabam por partilhar uma fotografia ou deixar uma recomendação.

Esse passo costuma acontecer de forma natural. Ninguém sente que está a entrar numa comunidade organizada. Simplesmente participa porque percebe que a sua experiência também pode ser útil para outra pessoa.

É precisamente aí que desaparece a fronteira entre quem observa e quem passa a fazer parte da conversa.

A internet reúne espaços muito diferentes

Enquanto navegamos, é habitual passar de uma página para outra quase sem prestar atenção. Num dia procuramos informações sobre um festival, noutro consultamos uma comparação tecnológica e, pouco depois, acabamos a ler recursos completamente diferentes.

Entre essa enorme quantidade de conteúdos surgem também sites especializados como Gates of Olympus Roulette, integrado no vasto ecossistema de páginas que reúnem informações sobre diferentes serviços disponíveis na internet. A sua presença reflete a diversidade de recursos que podem ser encontrados durante uma pesquisa, sem que isso represente uma recomendação ou promoção desse website.

As cidades também escutam o que acontece na internet

Há alguns anos, os organizadores de eventos tinham de esperar pelo dia seguinte para conhecer a opinião do público. Hoje, essa informação chega enquanto o concerto ainda está a decorrer.

Os comentários, as fotografias e os vídeos publicados em tempo real permitem identificar o que está a funcionar e quais os aspetos que suscitam críticas. Muitos festivais, salas de espetáculos e espaços culturais utilizam esse fluxo de informação para melhorar as edições futuras.

O mais interessante é que quem gera esses dados não são analistas nem jornalistas. São os próprios participantes, que partilham, quase sempre de forma espontânea, aquilo que estão a viver.

Participar sem dar por isso

Talvez essa seja precisamente a maior mudança. A maioria das pessoas não entra na internet a pensar que vai influenciar as decisões dos outros. Simplesmente partilha uma experiência que considerou interessante.

No entanto, essa fotografia tirada à saída de um concerto, esse comentário sobre um pequeno clube de jazz ou essa recomendação de um terraço pouco conhecido podem acabar por chegar a centenas de pessoas que procuram exatamente esse tipo de programa.

As comunidades digitais ligadas ao tempo livre funcionam graças à soma destes gestos do dia a dia. A linha que separa o simples observador do participante é cada vez mais ténue e, muito provavelmente, muitas pessoas atravessam-na sem sequer se aperceberem disso.