Agora é caso de polícia. O delegado do Departamento de Operações Táticas (DOT), Augusto Barros, deu início ao inquérito que investiga o crime de desobediência cometido pelo presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Carlos Alberto Ferreira, ontem à tarde, com análise dos documentos enviados pelo Ministério Público do Maranhão à Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). O MP abriu um Inquérito Cívil Público, na promotoria de Defesa do Consumidor, para analisar possíveis irregularidades na administração do futebol maranhense. A autoridade policial também investigará eventuais práticas lesivas aos torcedores de futebol por parte do dirigente, que deverá ser intimado para depor juntamente com outros envolvidos no caso na próxima semana.
Apesar da demora, o delegado Augusto Barros deu início, ontem, ao inquérito policial que investiga, além do crime de desobediência, sonegação fiscal, crimes contra o sistema financeiro, a ordem econômica, a previdência social, lavagem de dinheiro, corrupção, suborno, entre outros, que podem ter sido cometidos por Alberto Ferreira no exercício da presidência da FMF.
“O caso demorou a chegar na Seic e os documento levantados sobre o caso pelo Ministério Público só foram enviados hoje [ontem] para mim. Ainda não posso definir se houve algum crime, pois ainda não analisei as provas e nem interroguei acusados e testemunhas. Porém, posso adiantar que os crimes ‘de colarinho branco’ são de difícil enquadramento em uma qualificação jurídica precisa, mas se houve transação financeira, há rastro. Por isso, antes de começar a ouvir as partes, quero primeiro analisar minuciosamente as provas”, explicou.
O delegado Augusto Barros afirmou que Alberto Ferreira será intimado para depor, mas não confirmou quando acontecerá a oitiva. O agente da autoridade policial disse também que se o dirigente se recusar a comparecer à delegacia, como fez com o Ministério Público, poderá ser levado a depor à força. “A oitiva dele é uma certeza, pois pelo que percebemos Alberto Ferreira é o maior responsável pelos possíveis delitos cometidos na FMF. Só não posso dizer se ele será o primeiro ou último a depor no caso, pois o inquérito segue uma sequência lógica de investigação, mas ele será chamado. Caso ele não atenda a intimação que enviaremos, serei obrigado a usar a condução coercitiva [prisão temporária] e o Tribunal de Justiça já negou pedido de habeas corpus preventivo a ele”, comentou.
Mais complicação
Como Alberto Ferreira já antecipou em sua defesa que só pretende se pronunciar em juízo, ele deve usar do mesmo artifício ao ser chamado a depor na delegacia. Porém, o delegado Augusto Barros adiantou que apesar de ser legal este tipo de prática, só atrapalha o investigado. “Este é um principio básico do direito no qual o suspeito pede para se pronunciar apenas em juízo, mas as perguntas são anexadas ao processo e ele terá de responder do mesmo jeito na frente do juiz. Porém, em crimes como o que ele está sendo investigado, de ordem financeira, sempre fica rastros e as provas são irrefutáveis”, afirmou.
Fonte: O Estado do Maranhão


