O inquérito civil público que apura indícios de práticas lesivas aos torcedores maranhenses praticadas pelo presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Alberto Ferreira, conduzido pela promotora de Justiça Lítia Cavalcanti, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de São Luís, entrou na fase de coleta de depoimentos. Após ouvir radialistas e jornalistas esportivos, a representante ministerial ouvirá os dirigentes de clubes e o primeiro será o presidente da Associação de Clubes do Maranhão (Amaclub), Sérgio Frota, também presidente do Sampaio Corrêa. O depoimento dele será na terça-feira, e ele prometeu colaborar com as investigações que estão passando o futebol “a limpo” no estado.
Sérgio Frota afirmou que não deve nada e apoiará a investigação do Ministério Público, mas disse que teme retaliações do presidente da FMF, Alberto Ferreira, ao Sampaio no Campeonato Brasileiro da Série D. “Como dirigente de clube, sei de muita coisa que acontece no futebol e no momento que for chamado pelo Ministério Público falarei tudo, pois tenho documentos. Agora, não sou burro de atacar a Federação disputando uma competição nacional, pois o Sampaio pode pagar, porque eu nada temo, pois nunca fiz nada de errado. Sempre colaborei com a Justiça, pois enviei à promotora Lítia Cavalcanti todos os documentos que ela me pediu”, falou.
A promotora Lítia Cavalcanti viajou ontem a Brasília (DF), mas garantiu que as investigações estão aceleradas. “Depois que a Confederação Brasileira de Futebol [CBF] enviou toda a documentação que solicitamos, o nosso trabalho ficou muito mais fácil. Vamos começar a colher os depoimentos dos dirigentes e comparar as informações. Na terça-feira, vou ouvir o Sérgio Frota e ele tem muita coisa a dizer”, disse.
Nos documentos enviados pela CFB ao Ministério Público, foi confirmado que a FMF recebeu R$ 1,020 milhão durante os anos de 2009 a 2010, que corresponde a cerca de
R$ 85 mil por mês. Porém, os recibos mostram que são depósitos feitos em valores que variam de R$ 30 mil a
R$ 50 mil. Antes das investigações, Alberto Ferreira disse que recebia
R$ 20 mil mensais e que gastava tudo com a folha de pagamento da entidade que dirige e nas competições promovidas pela instituição.
Inquérito criminal
O delegado Augusto Barros, responsável pelo inquérito criminal movido pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) por crime de desobediência praticado por Alberto Ferreira, foi encarregado do caso pelo delegado Marcos Afonso, que não quis dar detalhes sobre as investigações, porque a promotora Lítia Cavalcanti pediu sigilo. A pena pelo crime de desobediência é leve: de 15 dias a seis meses de detenção e pode ser revertida por serviços comunitários.
Fonte: O Estado do Maranhão

