Vai começar nesta quarta (16) a Copa do Brasil, que garante uma vaga na Libertadores ao vencedor. Mas a maioria dos 64 clubes participantes tem planos mais modestos.
River Plate. Na Copa do Brasil, um time argentino? O escudo é quase igual. Os uniformes? Cópias fiéis.
“Nosso patrono foi na Argentina, na loja do River. Comprou camisas do River Plate e mandou confeccionar no mesmo modo do original”, contou o presidente do River Plate, Ernando Rodrigues.
O River Plate brasileiro é de Carmópolis, interior de Sergipe, com 13 mil habitantes e famosa pelos poços de petróleo.
Antes, o time se chamava São Cristóvão. Mas mudou de nome em 2007. Como no estado também há um Boca Juniors, o sonho dos dirigentes era fazer um clássico argentino, que jamais aconteceu.
“Quando um estava na primeira. Quando o River subiu o outro desceu”, contou Ernando.
O River Plate vai estrear contra o Botafogo.
Em Itacoatiara, no interior do Amazonas, também há um clube em homenagem a outro time famoso da América do Sul. Um nome que já deu confusão por aqui. Penarol ou Peñarol?
“Penarol, o nosso aqui é Penarol. Peñarol é do Uruguai”, disse um torcedor.
Em 1946, o Peñarol do Uruguai viajou de Belém a Manaus de barco, pelo rio Amazonas.
“Pra chegar, tinha parada obrigatória em Itacoatiara”, afirmou o diretor do Penarol, Inácio Cavalcanti.
Um ano depois, nascia o clube local em homenagem aos uruguaios.
“Aí veio a portuguezação da palavra, não é”, disse Inácio.
Penarol, sem o til, vai enfrentar o Paysandu, de Belém.
O caçula da Copa do Brasil é do Maranhão. Tem só três anos de idade e um nome que nem parece de time de futebol. Iape. O presidente, Antonio Pereira, o Pereirinha, tem projetos sociais com crianças. A Organização Não Governamental se chamava Instituto Amigos do Pereirinha. Os amigos aconselharam: ‘vai pegar mal botar o próprio nome no time’. Continuou Iape, mas com outro significado.
“Instituto de Administração de Projetos Educacionais”, explicou Antônio Pereira.
O apelido é mais fácil. Canário da Ilha. O Canário vai enfrentar o Atlético Mineiro.
Em Alagoas, o campeão estadual tem o nome de uma cidade. Murici. 25 mil habitantes. Sofreu com uma enchente no ano passado. Dois mortos, mais de dois mil desabrigados. Até hoje é possível ver as marcas deixadas pela chuva.
Durante a enchente a sede do clube foi totalmente destruída e o troféu de campeão alagoano sumiu e reapareceu um mês depois, a 1,5 km de distância, cheio de lama, arranhado e quebrado. A direção preferiu não restaurá-lo e deixá-lo como símbolo de resistência da cidade à tragédia.
O Murici vai enfrentar o Flamengo nesta quarta (16), em Maceió. Os jogadores já imaginam não como marcar Ronaldinho Gaúcho, mas, o que pedir a ele.
“Uma camisa. A família está querendo, pedindo. Todo dia ligam. Não esqueça minha camisa”, disse um jogador do Murici.
“Uma foto. Vou pedir uma foto. Vou ver se ele consegue essa graça pra nós”, contou outro jogador.
O presidente é mais ousado: “do Ronaldinho não quero autógrafo, não quero camisa. Gostaria que ele desse uma voltinha aqui no Fusca do Flamengo”, afirmou Geraldo Amorim, presidente do Murici.
O dirigente do Murici não tem vergonha de mostrar o quanto ama o Flamengo.
“Espero que o Flamengo seja campeão brasileiro, mas na Copa do Brasil vai dar Murici”.
Murici, River Plate, Iape e Penarol terão seus 90 minutos de fama. Ou até mais. Só depende deles.
Fonte: Jornal Nacional




