Sem patrocínio, mal administrado e sem grande interesse público, o futebol maranhense pode mudar radicalmente este panorama a partir deste segundo semestre. A Copa União, uma espécie de segundo Campeonato Maranhense, na mesma temporada, pode ganhar força e ser até mais interessante do que o Estadual. Tudo isso com a implantação do Viva Nota, que promete sortear de R$ 100 a R$ 50 mil.
A previsão do secretário de Fazenda do Estado, Cláudio Trinchão, é que em agosto o programa esteja em plena atividade. “Estamos trabalhando para antecipar este prazo, mas na pior das hipóteses, no início de agosto já estará implantado”, disse Trinchão em entrevista à Rádio Timbira, na manhã de ontem.
Os benefícios, além de acesso a eventos culturais e esportivos, serão também em dinheiro. Sorteios com valores entre R$ 100 e R$ 50 mil. Descontos no IPVA também vão fazer parte do pacote de vantagens, no entanto apenas no fim do ano. Sorteios de premiações nas partidas de futebol não estão confirmados.
O programa de educação fiscal vai incentivar o futebol profissional, o esporte amador e a cultura. Em princípio, o futebol profissional vai ser o alvo do Governo do Estado, pois a administração pública prevê que testando o programa com o futebol, a resposta pode ser imediata, uma vez que mexe com paixão e isso impulsiona a adesão ao Viva Nota.
A administração dos recursos ainda vai ser discutida com os clubes. Desta forma, os dirigentes convidados para conversar com os representantes do governo terão a oportunidade de solicitarem para si esta responsabilidade. Assim, a Federação Maranhense de Futebol (FMF) participaria menos deste processo. Seria apenas a produtora dos ingressos e administradora dos borderôs. “Não sou especialista em futebol. Por isso vamos chamar os clubes para definir estes detalhes. Nossa intenção é ajudar a soerguer o futebol do estado. Vamos comprar um volume considerável de ingressos e colocá-los a disposição dos torcedores para trocar pelos cupons fiscais”, argumentou o secretário.
Investimento
Cláudio Trinchão avalia que o investimento para implantação do Viva Nota chega a R$ 8,8 milhões. Com o programa em atividade, o contribuinte terá acesso via internet aos lançamentos feitos pelos comerciantes. A intenção é incentivar a exigência dos cupons fiscais em qualquer situação. Na padaria, qualquer R$ 2 em compra serão exigidos pelo consumidor e lançado no sistema para controle da Secretaria da Fazenda. O valor para ser trocado por ingresso ainda será definido, mas tudo indicar que R$ 100 deve ser o exigido. O secretário alertou para a exigência dos cupons, já que a sonegação fiscal é crime, o que acarreta problemas para o governo e consequentemente para a população. “São com estas arrecadações que o governo realiza obras e investimentos de maneira geral. Então esse dinheiro volta para o contribuinte”, disse Trinchão.
Nota na Mão
O programa que serviu de base para o Viva Nota foi criado em 1998, quando a administração do estado também era de responsabilidade de Roseana Sarney. Na oportunidade, o texto do decreto especificava que as notas fiscais seriam trocadas “nas agências dos Correios, por ingressos das partidas do campeonato estadual de futebol profissional e (o consumidor final teria) a participação em sorteios de automóveis, motos e eletrodomésticos. Assim como o novo programa, o Nota na Mão previa a arrecadação de ICMS, principal imposto do estado. O torcedor tinha que acumular notas fiscais até chegar a R$ 50 e assim trocar por ingressos em postos espalhados pela cidade.
De acordo com dados da Secretaria da Fazenda, o Nota na Mão alavancou a média de público do Estadual. Se anteriormente a média girava em torno de 800 torcedores por jogo, em 1998, primeiro ano do programa o Campeonato Maranhense registrou uma média de 10 mil por partida. Neste mesmo ano, a Secretaria da Fazenda confirma que 800 mil torcedores assistiram as partidas, por meio da troca de notas fiscais por ingressos. No ano seguinte, o número caiu para 650 mil. Na oportunidade, o Estádio Castelão era o principal palco dos jogos em São Luís. No momento, o estádio é uma promessa de governo para ser reaberto no próximo ano.
Fonte: O Imparcial



