São 10 mil quilômetros de distância. Com deslocamento de avião, o meio de transporte mais rápido, são 16 horas até chegar a Dubai. Mas quando você sai de São Luís e precisa fazer escalas, esses números tendem a crescer. As oportunidades e os encantos de Dubai são muitos e o fascínio pelo futebol dos árabes também são grandes.
Essa aliança faz com que muitos brasileiros sejam recrutados para trabalharem principalmente no desenvolvimento do futebol. O esporte é encarado como um negócio para multiplicar o que o petróleo faz jorrar naquelas terras. Encarado como entretenimento, e mesmo a base de muita polêmica, escolhido para ser sede da Copa do Mundo de 2022.
Para não fazer feio. Os empresários da bola de Dubai começam a trabalhar para moldar os nativos e também convidar alguns estrangeiros para desde já se acostumarem com a cultura para que se naturalizem a tempo e sejam opções para montar a seleção nacional. Quem pode fazer parte desde processo é um treinador bem conhecido dos torcedores maranhenses.
Antônio Braid Ribeiro, 56 anos, que já teve passagens pelo futebol da Arábia e África vai agora para Dubai. O treinador conversou com Hassan Murad, diretor do centro de formação de atletas Profissional Link. Braid voltou ao Maranhão para resolver assuntos relacionados a Universidade Federal do Maranhão, onde é servidor. A previsão de retornar a Dubai é em setembro. “Não há nem como descrever Dubai. Aquilo é um sonho”.
O professor de educação física revela a intenção do país com os estrangeiros. “Eles buscam atletas na faixa de 18 anos para começarem uma preparação. Isso dos estrangeiros”. No entanto, nem todos os nativos serão profissionais da bola, uma vez que o centro de formação funciona como uma escolinha tradicional do Brasil. Com pagamentos de mensalidades em troca da prestação de serviço, a princípio o lazer.
Os treinadores são da região que foram para países europeus como Alemanha e Itália com o objetivo de busca a capacitação profissional. Braid disse que vai desempenhar um papel administrativo. O maranhense vai supervisionar o trabalho do centro e auxiliar os treinadores. “Vou ser o coordenador do centro. Os treinadores são de lá. Acima de mim tem um gerente, que também é da região”, declarou.
Maranhão
Braid foi jogador de futebol, antes foi militar. É treinador com passagens em vários clubes do estado. Porém, quando fala deste esporte praticado no estado, se coloca como uma pessoa que expressa suas ideias e não é bem visto por isso. “Pago um preço no futebol do Maranhão por ser chamado de ‘falador’. Não sou falador, sou conhecedor. Como vou tentar uma parceira entre Dubai e o Maranhão no futebol, o que eu vou oferecer, se os clubes não tem nada”, declarou, que complementou sobre a oportunidade que vai ter fora do país. “Não tivemos a chance de fazer isso no nosso país, vamos fazer no país dos outros”.
Se está desiludido com o futebol local, pretende incentivar uma futura parceria com as manifestações folclóricas do Maranhão. O Bumba-Meu-Boi e o Cacuriá podem ser os primeiros. “Vou levar material e tentar infiltrar a cultura maranhense, pois eles gostam muito do Brasil e de danças, e o Maranhão tem muito a oferece lá fora”, planejou.
Ficha técnica
Formação: Educação física
Ocupação: treinador de futebol e professor de educação física
Clubes (como jogador): Moto Club, Sampaio Corrêa, Vitória do Mar e Imperatriz.
Preparador físico: Começou no Maranhão
Treinador: Moto, Maranhão, Imperatriz, Viana, Tocantins, São José e Expressinho.
Escritor: Lançou o livro “Uma criança especial”, publicado também na França. A obra fala sobre a reabilitação de pessoas que tem dificuldade no aprendizado.
Fonte: O Imparcial


